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Tempo do Advento: Despertar do sono

Frei Almir Ribeiro Guimarães

Olá, meus amigos! Fim de ano. Fim de mais um longo tempo de pandemia. Dentro de nós uma sensação de cansaço com a repetição de coisas que fomos fazendo em nossa prisão domiciliar. Mais uma vez esses dias de dezembro. Que possam nos animar…. Através de leituras e reflexões do tempo do Advento procuramos despertar dentro de nós um sentimento de espera, de expectativa. Foi no passado que chegou o Menino das Palhas. Nesses dias, no entanto, tornamos presente tudo aquilo que envolveu a chegada em nossa carne daquele que era o Desejado de todas as nações. Procuramos nos envolver de um espanto. Não queremos ficar acostumados demais com a Encarnação. Ela precisa sempre nos surpreender. Afinal de contas se trata de Deus vivendo nossa vida!

Esperar! Que palavra maravilhosa. Quando não esperamos por mais nada acaba o sentido do pulsar de nosso coração. Esperar um amigo que chega numa estação rodoviária ou no portão de um aeroporto. Esperar durante meses um filho escondido no seio de uma mulher. Esperar que o tratamento de um câncer seja bem sucedido. Esperar que as nuvens chovam o Justo.

“Já é hora de despertar do sono. Com efeito, agora a salvação está mais perto de nós do que quando abraçamos a fé. A noite já vai adiantada, o dia vem chegando: despojemo-nos das ações das trevas e vistamo-nos das armas da luz” (Romanos 13, 11-12).

Enxergar já no horizonte um fiapo de luz. A espera antecipa a alegria do que está para acontecer. Os anos passam e a vida vai voando. Somos todos envolvidos nesse louco frenesi: trabalhar, correr, amar nem sempre sabendo amar, fazer tudo depressa porque há muito que fazer e o tempo é curto. Casar, colocar filhos no mundo, erguer uma parede, escrever um livro. Sem tempo para sonhar. Sem tempo para viver. Sem tempo de ter saudades de Deus.

Por vezes, muitas vezes um torpor toma conta de nós: tudo igual, tudo cansativo, repetitivo, sem gosto, insosso. Mesmo em nossa vivência da fé. Certos ritos e palavras não ressoam mais na catedral de nosso interior. Contatos sem viço, orações tediosas. Cansaço de vida. Tudo feito sem fogo e sem alma. Indolência.

Somos convidados a despertar do sono. Os profetas gritam, o Batista se mostra urgentemente incisivo pedindo a conversão e o coração de uma jovem chamada Maria deixa que nela seja semeada a Esperança.
Vamos reviver no rosto do Menino que nasce a saga da esperança, o começo da realização do projeto de Deus, do sonho de Deus de ser Deus conosco, Emanuel. A cabana em que nasceu a Criança é iluminada por uma estrela. E vamos nos vestindo com as armas da luz.
O poeta Arthur Rimbaud escreveu: “Espero Deus com gulodice!”
É hora de despertar do sono.

Imagem ilustrativa de Frei Fábio Melo Vasconcelos

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