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“Podes me receber?”

Em nosso caminhar de vida cristã, no começo de cada mês, na primeira sexta-feira, dirigimos nossa atenção para Cristo Jesus do peito ferido, mostrando a hospedaria de seu coração. O lado fissurado do Senhor passou a ser para nós o coroamento de uma vida de tal bondade que só poderia ser divina.

Os evangelhos nos falam de vários encontros que Jesus teve. Alguns o procuravam com perguntas. Outras vezes ele se insinuava na vida dos que passavam ou que encontrava ao sabor de suas andanças. Um de seus marcantes encontros foi com um venal arrecadador de impostos de nome Zaqueu.

Jesus ia passando. Sua vida era de peregrino e andarilho. Olhava as pessoas. Parava. Tinha a intenção de vê-las ou de tocar mais de perto sua história pessoal. Alguns, por sua vez, tinham curiosidade de vê-lo. Esse cobrador de impostos , de baixa estatura, talvez meio gordinho, não queria perder a oportunidade de ver esse famoso mestre passar. Sobe a uma árvore. Dessa altura nada impediria de realizar seu propósito. Ajeita-se, senta num galho mais forte, e com as mãos afasta a folhagem e seu rosto fica bem à vista. O Mestre passando perto levanta os olhos e se dirige a esse vulto no meio das folhagens: “Zaqueu desce depressa. Resolvi ficar em tua casa”. Frase curta. Jesus se convida para ficar na casa de Zaqueu. “Podes me receber? Tive vontade de chegar mais perto de ti, de teu interior. Vamos comer alguma coisa e conversar.”

O funcionário mal visto pelos seus compatriotas não teve tempo de pensar. A surpresa fora muito grande. Esse desprezado teve a graça de um olhar. Jesus não se importou com eventuais comentários a respeito de sua postura diante da figura do mal visto Zaqueu. Este desce depressa, recebe o Mestre com outros pecadores. E tudo muda. “Devolvo os bens que usurpei. Vou dar tuto do que tenho aos pobres.”

Esse Jesus ressuscitado passa por aí e de uma forma ou de outra anda “catando” vidas. Há pessoas que foram levadas a situações delicadas: um homem abandona a família e se alimenta de uma ilusão fugaz; durante anos outro sempre procurando seus interesses e esquecendo que muitos podiam ter sido levados em seu animal até uma hospedaria outros andaram tratando sem respeito seus subalternos, numa posição de orgulho assassino; outros fizeram seus semelhantes chorarem de dor. Muitos se arrependem. Desesperam-se. Pode ser que Jesus, ou um discípulo de Jesus se aproximem dele e “se convidem” para entrar na intimidade desses seres em decomposição mesmo com os melhores carros e destilando os mais requintados perfumes. Jesus pode insinuar: “Gostaria de ficar em tua casa. Podes me receber?

Quando nos detemos diante da cena do Calvário, de modo especial quando nosso coração pesa, quem sabe, possamos ouvir: “Podes me receber?” Afinal o Senhor é médico. Veio salvar o que estava perdido.

Frei Almir Ribeiro Guimarães, OFM

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