ORDEM FRANCISCANA SECULAR

Fiéis cristãos no meio do mundo

Quando as pessoas ouvem o nome de Francisco de Assis, escrito, mencionado, falado sentem que se trata de alguma coisa vigorosa à qual se deve prestar atenção. Afinal de contas trata-se de Francisco de Assis. Ele é dos franciscanos, dos artistas,  dos irmãos de outros credos, dos que cuidam e reverenciam a criação e foi mesmo declarado o Homem do milênio passado. Muitas pessoas se sentem afetivamente ligadas a ele. É uma luz que não cessa de brilhar.  Uma faísca de bondade, transparência e cortesia que atravessa os tempos.

Francisco não pensava em constituir uma congregação de religiosos, uma Ordem. Ele queria se vestir do Evangelho e para ele o Evangelho tinha um nome: Jesus. Nasceram os frades menores. Mas o mundo do leigos, dos penitentes, daqueles que o Espírito ia chamando para transformarem a Igreja da época,  desejavam viver evangélica e “franciscanamente”. Leigos evangélicos que queriam ser sal da terra, fermento na massa e luz do mundo. Ao longo dos séculos existiram os cristãos leigos franciscanos. Pertenciam à Ordem Terceira de São Francisco (OTF). No ano de 1978 o Papa Paulo VI aprovou a nova Regra da Ordem que passou a ser designada de Ordem Franciscana Secular (OFS). Reforça-se assim o caráter laical: vivem no mundo, no meio das realidades terrestres destacando-se o campo da família, do trabalho, da construção da paz, da política e do respeito e preservação da terra e da natureza, nossa casa comum.

O leigo franciscano é um cristão que sente o chamado de Deus para seguir a Cristo à maneira de Francisco. Experimenta como que uma cumplicidade espiritual com as intuições evangélicas de Francisco. É um cristão que se sente chamado pelo Espírito  a viver hoje o carisma franciscano necessário à vida do mundo e da Igreja. Um modo de trabalhar na constante reconstrução da Igreja.

O Cristo vivo, ressuscitado, o Cristo de São Damião que fascinou Francisco parece se aproximar das pessoas e dizer: “Segue-me!” As pessoas ingressam no movimento franciscano numa quadra da vida de enamoramento pelo Senhor Jesus que torna próximo da pessoa.  Devido a diferentes circunstâncias o Cristo cerebral desce até o coração e a vontade e os que são tocados não podem mais viver se ele. A Ordem se torna um caminho, um espaço que permite sim ao Amor que quer amar e ser amado.

O franciscano secular é um cristão que deseja fazer o aprendizado da vida fraterna com irmãos e irmãs  (também com religiosos franciscanos) solteiros ou casados em vital reciprocidade. É um cristão que sente a necessidade do apoio de uma fraternidade para amadurecer sua pessoa e sua fé. Os franciscanos seculares constituem-se em fraternidades. Não guetos, mas grupos abertos aos nossos tempos e marcados por forte senso de acolhida. Reúnem-se para festejar seu bem querer e serem plataforma da missão.

É alguém que sente necessidade de ver amadurecer seu compromisso na luta contra racismo, intolerância, violência, desrespeito pela pessoas porque desejam ser promotores da paz. Quer, com outros, ser construtor da paz, artesão de um mundo entendimento em nome do Amor.

Os franciscanos seculares têm um partitura original a tocar nesse futuro que devemos construir com todos os homens de boa vontade acentuando o respeito pela pessoa humana no seio da Fraternidade universal, manifestando em sua vida de leigo a novidade do Evangelho, encarnando no cotidiano dos relacionamentos o amor salvador de Cristo, rejeitando sempre a ditadura do dinheiro e a pauperização de dois terços do planeta. Neste mundo que está em gestação os franciscanos deverão fazer ouvir sua melodia.

Tudo leva a crer que poderão pertencer ao grupo dos franciscanos seculares ou dos religiosos os que andam insatisfeitos com seu modo de viver a fé crista, talvez rotineira e mornamente. Não querem ser “católicos” de nome.  Receiam fracassar em sua de fé. Os melhores candidatos à vida franciscana são aqueles que  são tocados pelo espírito do Sermão da Montanha: coração pobre e puro, sede e fome de Deus, rezar discretamente no quarto, os que além do manto que lhe pedem dão também a túnica, os que não se contentam com as aparências.

Os franciscanos seculares não vivem prioritariamente exercendo tarefas litúrgicas.  Sua atmosfera vital é o mundo. Seres alegres no meio dos desafios.

Para tanto estão em constante estado de crescimento: leituras, estudos nas reuniões da fraternidade, amadurecimento humano, despertar de suas possibilidades missionárias, cultivo de uma vida de oração pessoal.  Vão crescendo como seres humanos: corteses, atentos aos que estão jogados na beira da estrada, dedicados e delicados.  De tanto conviverem com o Evangelhos e as Fontes Franciscanas ganham traços do Poverello: pobreza luminosa e esponsal, alegria de viver nas mãos de Deus, espontaneidade, avessos a regras secas, disponibilidade para os outros. Embora professores de universidade são pessoas que cuidam com carinho dos leprosos de nossos tempos.

Fraternidades franciscanas seculares bem conscientes de sua vocação constituem uma benção para a formação de um laicato que sabe associar seu amor pela grutas à alegria de irem pelo mundo, uma vida de intimidade com o Senhor e a alegria de percorrer a terra de nossos irmãos, os homens, cantando um cântico novo.

Frei Almir Ribeiro Guimarães

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