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Ministro Provincial: “É aqui que passamos a amar com maior intensidade a missão de encher o mundo com o Evangelho”

Frei Augusto Luiz Gabriel

Petrópolis (RJ) –“O Sagrado dos Canarinhos, o Sagrado da Escola São José, o Sagrado da Editora Vozes e de tantas vozes que, corajosamente e profeticamente, levantam-se em favor dos mais pobres. Este é o Sagrado. É a busca do Sagrado que nos coloca em defesa da vida do irmão e do anúncio corajoso do Evangelho. É o Sagrado do pão de Santo Antônio”. Com essa lembrança, o Ministro Provincial, Frei Paulo Roberto Pereira, rendeu graças a Deus pelo Jubileu de 125 anos de presença dos Frades Menores Franciscanos em Petrópolis e de 75 anos de criação da Paróquia do Sagrado Coração de Jesus, durante a Celebração Eucarística desta quarta-feira, 9 de fevereiro, às 18 horas.

A Santa Missa teve como concelebrantes o Vigário Provincial, Frei Gustavo Medella, o guardião e pároco, Frei Jorge Paulo Schiavini, o mestre dos frades do Tempo da Teologia e Definidor Provincial, Frei Marcos Antônio de Andrade e os Vigários Paroquiais, Frei Volney Berkenbrock, Frei Francisco Morás, Frei Ronaldo Fiúza e Frei Almir Guimarães. Frei Alan Leal de Mattos serviu como diácono. Frades, lideranças de movimentos e pastorais e os fiéis da centenária Igreja do Sagrado marcaram presença na celebração que foi transmitida pelas redes sociais da Paróquia e pela Rádio Imperial. O coral dos frades entoou os cantos da celebração, sob regência de Marco Aurélio Lisch, maestro dos Canarinhos.

Desde 9 fevereiro de 2021, a Fraternidade do Sagrado vive o Ano Jubilar. Foram inúmeras celebrações e atividades, dentre elas destacam-se o lançamento do site da fraternidade e paróquia, a rica partilha da história com fatos e curiosidades e a apresentação de vídeos com depoimentos de pessoas que fizeram e fazem parte deste tempo jubilar. Além disso, durante todo ano, sempre na 1º sexta-feira do mês, as celebrações fizeram memória da devoção ao Sagrado Coração de Jesus, mas também lembraram de personalidades importantes que junto do povo petropolitano fizeram e fazem parte da história.

Após a leitura do Evangelho, Frei Paulo iniciou sua reflexão afirmando que ele faria uma conversa familiar. Segundo ele, homilia significa conversa familiar. Começou falando sobre o Jubileu de 75 anos da Paróquia. Explicou que nos últimos anos a Igreja dedicou especial atenção ao tema das paróquias, assim como à Ordem Franciscana. Afirmou que por paróquia entende-se mais do que uma circunscrição geográfica ou um decreto canônico, mas um espaço da experiência vivencial do seguimento de Jesus Cristo. “É a experiência da comunhão, da familiaridade”.

PARÓQUIAS FRANCISCANAS: OUSADIA DE FAZERMO-NOS IRMÃOS

Para o Ministro Provincial, todos são convidados e podem viver a experiência da familiaridade. “Isso nos é dado pela nossa configuração biológica. Nós somos irmãos dos nossos irmãos consanguíneos. Portanto, a consanguinidade é propiciadora de familiaridade”, explicou, e acrescentou dizendo que se faz família a partir também da afeição. “Mas, nós somos mais ousados e nos propomos a dar um outro passo além da consanguinidade e afeição. Nós queremos formar paróquia, formar família, fazer a experiência de comunhão, a partir da decisão, a partir das escolhas que fundamentam as nossas escolhas, a partir da escolha do próprio Deus que se revela aos pequeninos”, ressaltou.

Segundo Frei Paulo, Deus tem a sua predileção e nos escolheu e, a partir da Sua decisão,  fazemos também a nossa decisão. “Superamos a consanguinidade, experimentamos a afeição, evidenciamos as nossas escolhas e damos um passo além, a ousadia! A ousadia de fazermo-nos irmãos, de experimentar a comunhão com o vermezinho que rasteja no chão, e a estrela mais brilhante do firmamento”, frisou.

Para ele, esta também é a decisão que mantém a escolha de se atuar em uma paróquia franciscana. “E hoje, jubilosamente, nós celebramos uma história bonita de 75 anos de paróquia. Sempre na perspectiva que o Evangelho nos aponta: ‘O Reino de Deus é como quando alguém espalha semente na terra, vai dormir, acorda noite e dia, a semente vai germinando e crescendo mas não sabe como isso acontece’. Ou então, como São Paulo que afirmou aos Coríntios: ‘Eu plantei, Apolo regou, mas Deus é que deu o crescimento’, citou.

“Recordamos 125 anos da presença dos irmãos franciscanos da nossa família franciscana aqui neste lugar. Recordamos 125 e depois 75 anos de uma Paróquia feita franciscana. E o nosso pensamento e sentimento são remetidos a Deus. Nosso louvor, nossa gratidão a Deus. É Ele que dá o crescimento. É Ele que faz germinar, mas cabe-nos a confiança do plantador. Cabe-nos a tenacidade, a determinação daquele que planta e que planta com confiança”, destacou. Segundo o Ministro Provincial, faz-se necessário continuar semeando. “Essa é a nossa tarefa e essa será sempre a nossa missão!”.

Fez menção à abertura do Jubileu, em fevereiro de 2021, quando na ocasião, o pároco Frei Jorge proferiu que na tradição bíblica se entende ‘jubileu’ como um tempo propício de recordar a misericórdia. “Gratidão, confiança e exercício de misericórdia. Misericórdia exige de nós esvaziamento do coração e de tudo aquilo que nos impede de ver no outro o nosso irmão. Esvaziamento do coração que nos inibe a gestos de solidariedade e de bondade”, revelou. “De coração esvaziado, aqui na igreja dedicada ao Sagrado Coração de Jesus, repetimos hoje o que o nosso povo, com muita simplicidade, sempre reza: ‘Fazei o nosso coração semelhante ao vosso’”.

Para Frei Paulo, recordar a história da Editora Vozes, dos Canarinhos, de personalidades importantes “nos faz gratos”. “Faz a gente olhar para trás com muita gratidão e ver quanta coisa boa Deus nos proporcionou. Mas esse olhar retrospectivo deverá ser complementado com o olhar que nos projeta para o futuro”, exortou.

Segundo Frei Paulo, o Sagrado é a busca constante que dá sentido ao levantar, ao trabalhar, ao sofrer, ao se alegrar. “Nós, congregados a partir do desejo do Sagrado, nascemos, crescemos nos multiplicamos e plenamente realizamos a nossa existência em Deus. Que a Paróquia do Sagrado seja sinal desta busca e desta possibilidade realizável neste tempo e neste lugar”, refletiu.

O SAGRADO DA CONSAGRAÇÃO

O Sagrado é o espaço da decisão pelo apostolado. “Aqui é onde nós, os frades, despertamos para o desejo apostólico, missionário. O Sagrado é a experiência de iniciação apostólica, aqui passamos a amar com maior intensidade a missão de encher o mundo com o Evangelho de Cristo. Por isso, aos confrades que aqui moram, sobretudo os mais jovens, amem este chão e a partir daqui se lancem em missão”, pediu. Lembrou que a Igreja do Sagrado é o “Sagrado da consagração”. “Quantas celebrações de Profissão Solene aqui neste chão. Ao se recordar dos 75 anos da Paróquia e dos 125 anos de presença franciscana, cada um de nós, frades que está aqui e que já se deitou neste chão, pode renovar o seu compromisso de consagrar-se inteiramente a serviço de Deus, do Evangelho. É importante que a gente aproveite esta ocasião para sentirmo-nos de novo, todos nós, dispostos a oferecermo-nos em sacrifício. Oferecer a nossa vida, os nossos desejos. Que a gente renove esse compromisso sempre”, pediu o Ministro Provincial.

E concluiu: “O Sagrado dos Canarinhos, o Sagrado da Escola São José, o Sagrado da Editora Vozes e de tantas vozes que, corajosamente e profeticamente, levantam-se em favor dos mais pobres. Este é o Sagrado. É a busca do Sagrado que nos coloca em defesa da vida do irmão e do anúncio corajoso do Evangelho. É o Sagrado do pão de Santo Antônio. É o Sagrado da fome zero. Do envolvimento de tanta gente na solidariedade e no socorro da assistência necessária e urgente. O Sagrado também do encontro com o perdão nas tantas confissões celebradas, o Sagrado no acolhimento das dores daqueles que vem recordar seus parentes falecidos. É o Sagrado da consolação, o Sagrado que enche de sentido a nossa vida frágil, debilitada, mas que também enche de sentido e nos torna alegres e jubilosos porque ousamos mais, e de Deus, nunca nos faltará, toda a graça, e toda bênção!”.

Após a homilia, a Celebração teve continuidade com a liturgia eucarística. Depois da comunhão, o Coral entoou o canto ‘Grande e poderoso e bom Senhor’, de Frei Pedro Sinzig.

AGRADECIMENTOS

Frei Paulo lembrou que o último Capítulo Provincial, celebrado no final do passado, apontou a preocupação de revigorar a presença franciscana e também insistir no apelo vocacional. “Em cada fraternidade uma nova vocação deverá surgir”, disse. Na sequência lembrou de três gerações de frades petropolitanos que se fizeram presentes na celebração: Frei Almir, Frei Gustavo e Frei Alan.

O Vigário Provincial, tomando a palavra, destacou dois aspectos. Começou fazendo memória dos inúmeros frades vivos e falecidos que são naturais da Cidade Imperial e depois, na qualidade de secretário para a Evangelização da Província da Imaculada, destacou que há 125 anos os frades foram avançados na compreensão do que significa evangelizar.

“Se hoje o Papa Francisco fala de uma Igreja em saída, nossos frades já tinham essa disposição. Primeiro de virem de tão longe, atravessando o oceano, para trabalhar aqui num país desconhecido. E o quanto eles tinham o coração próximo de Deus e os olhos atentos a realidade. E é por isso que a presença franciscana se desdobrou em tantas obras e benfeitorias que hoje nós vemos em toda Petrópolis e que levam Petrópolis para o Brasil e para o mundo. Editora Vozes, Canarinhos, Escola Gratuita São José, a vinda das Irmãs de Santa Catarina, o Terra Santa, o Instituto Teológico Franciscano… um diálogo aberto com o mundo da educação, da arte, cultura. O Trono de Fátima e muitas outras obras que foram citadas aqui e lembradas. Uma visão avançada e atual de evangelização que compreende a vida por inteiro e acontece nos templos, no atendimento, nos sacramentos e no serviço prestado lá onde ele se faz necessário”, rememorou.

“Que o Senhor nos permita, enquanto frades franciscanos, continuadores desta história, junto com todos os paroquianos e o povo de Deus que faz parte desta caminhada, seguirmos com esse compromisso evangelizador e com esse olhar que consegue enxergar para além e atender os apelos da realidade”, pediu.

Por fim, o guardião e pároco, sem citar nomes, agradeceu a todos que de alguma forma contribuíram para a realização do Ano Jubilar. Aproveitou a ocasião para apresentar os novos frades da Fraternidade do Sagrado, que foram acolhidos com uma salva de palmas. Na sequência pediu para o Ministro Provincial abençoar o bolo que, no final da celebração, foi distribuído ao povo. A bênção final encerrou a solene celebração e também as comemorações do Ano Jubilar na Fraternidade do Sagrado!

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