Frei Constantino Koser

Um ilustre filho de São Francisco na cidade imperial

Entre os inúmeros franciscanos que estudaram e desenvolveram as suas atividades em Petrópolis está o franciscano Antônio Júlio Koser, em religião, frei Constantino. A sua história com a cidade imperial nasceu como a de muitos franciscanos, que no decorrer do seu percurso formativo são destinados a esta cidade para completarem os seus estudos, especialmente o de Teologia.

O jovem estudante foi transferido de Curitiba, em dezembro de 1938, para o convento do Sagrado Coração de Jesus em Petrópolis. Neste convento emitiu os seus votos solenes, recebeu as Ordens menores e a ordenação diaconal em 1939. Foi ordenado Sacerdote na capital paranaense em junho de 1941 e transferido para o Convento Santo Antônio, no Largo da Carioca no Rio de Janeiro. Na capital fluminense o franciscano tornou-se aluno particular do teólogo Padre Maurílio Teixeira Penido. Por razões de saúde, no final de 1942, padre Penido se transferiu para Petrópolis e frei Constantino recebeu a sua segunda transferência para a cidade Imperial, continuando os seus estudos com o teólogo.

No dia 25 de janeiro de 1943, frei Mariano Wintzen faleceu e o ministro provincial Mateus Hoepers OFM nomeou frei Constantino professor de Teologia Dogmática, assumindo também as disciplinas de iniciação à Sagrada Escritura, Homilética e Catequese. Seguindo uma tradição dos professores de teologia de Petrópolis, ele também atuou na capela do convento com as celebrações das missas, confissões na capelania do Colégio Santa Catarina, e aos finais de semana como coadjutor da Paróquia de Inhomerim. Em fevereiro de 1949 o bispo Dom Manoel Pedro da Cunha Cintra o nomeou responsável pela Catequese diocesana e assistente eclesiástico da Juventude Estudantil Católica (JEC), assumindo algumas aulas nos colégios de Santa Catarina, Santa Isabel e Sion.

Em 1950, o franciscano foi transferido para Freiburg, Alemanha, para o estudo de Teologia, onde se doutorou em 1953 e recebeu a sua terceira transferência para Petrópolis, reassumindo o ensinamento da Teologia Dogmática. Em junho de 1963 frei Constantino se despediu mais uma vez dos seus confrades e da cidade imperial para assumir a função de Definidor Geral da Ordem dos Frades Menores em Roma.

Neste período estava em andamento o Concílio Vaticano II e o franciscano acompanhou o evento Conciliar. Frei Koser foi teólogo assessor dos bispos franciscanos Dom Adriano Hipólito e Dom Edilberto Dinkelborn para assuntos do Concílio. Foi Conferencista na casa Santa Marta, onde ocorreu a formação teológica para os Bispos do Brasil enquanto transcorria o Vaticano II. Nestas conferências, frei Koser esteve ao lado de teólogos como, Karl Rhaner, Yves Congar, Stanislas Lyonnet, Cardeal Ruffini, Hans Küng, Henri de Lubac, Joseph Ratzinger e outros.

Em 1965 o Ministro Geral frei Agostinho Sépinski foi nomeado Arcebispo para a Palestina e Jerusalém, e frei Constantino foi eleito para o governo da Ordem dos Frades Menores. Nesta ocasião, o franciscano foi nomeado padre Conciliar, participando da quarta sessão do Concílio Vaticano II. Nos seus dezesseis anos no serviço aos franciscanos foi responsável por implantar as mudanças indicadas pelo Concílio a vida Religiosa, conhecida por sua metodologia de retorno às fontes do carisma da vida cristã, à inspiração do fundador e à adaptação no tempo.

No desempenho da sua função frei Koser foi um Brasileiro ousado e aventureiro. Ajudou a recuperar numa Ordem medieval alguns elementos que foram esquecidos no decorrer da sua história, como, o conceito de fraternidade. Inovou com outros elementos, por exemplo: o uso do dinheiro pelos frades, de forma responsável. Não faltaram novidades, como a suas inúmeras viagens visitando as províncias franciscanas, que segundo ele, “cruzou toda a terra”.

Frei Constantino será reconhecido pela história dos franciscanos como o Ministro Geral Conciliar, que com a graça de Deus, conduziu a Ordem dos Frades Menores num período de transição, para uma maior fidelidade ao carisma de Francisco de Assis, atualizando-o no presente e no futuro. O Ministro Geral terminou os seus serviços em Roma, em maio de 1979, recebendo a sua quarta transferência para Petrópolis.

De 1980 a 1985 se tornou um pregador itinerante no Brasil, na América (em especial nos países da América Latina) e na Europa. Como o agravamento do seu estado de saúde, frei Constantino implantou um marca-passo e neste tempo permaneceu em Petrópolis, dedicou-se ao atendimento das confissões e quando era possível, da organização do seu arquivo. Foi um período de muitas leituras e intensa convivência com os frades estudantes e professores.

No ano 2000, depois de algumas idas e vindas ao hospital Santa Tereza, o seu estado de saúde se agravou devido à erisipela. Foi hospitalizado mais uma vez e veio a óbito em 19 de dezembro do mesmo ano, sepultado no mausoléu dos franciscanos na cidade imperial.

Frei Constantino foi um vocacionado ao magistério e preocupou-se com a formação intelectual dos jovens frades, sempre que possível enviava da Europa muitos livros e revistas de teologia para a biblioteca franciscana de Petrópolis. Com a inauguração da nova sede do Instituto Teológico Franciscano (rua Coronel Veiga, 550) a biblioteca recebeu o seu nome. O franciscano foi o idealizador da forma de catalogação dos livros, provavelmente inspirado nas bibliotecas Europeias.

Na cidade de Colônia na Alemanha está sepultado o franciscano Beato João Duns Escotos. Em um dos lados da sua sepultura tem uma frase que transpomos ao contexto de frei Constantino: Curitiba gerou-me, a Alemanha instruiu-me; Roma acolheu-me e Petrópolis detém-me! Repousa em Petrópolis um ilustre filho de São Francisco. Ilustre, ao servir os franciscanos com humildade na ciência teológica e no governo geral e com o seu exemplo, procurou mostrar aos frades menores um caminho de vida de santidade.

*Usamos como fonte para o texto o necrológico de frei Constantino publicado na Revista de Vida Franciscana, ano 2002.

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