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Francisco, um homem de ternura

Em um mundo de violência e de barbaridades perpetradas contra o ser humano faz bem ouvir a palavra ternura. Ternura tem a ver com mansidão. Mansidão e ternura fazem parte do projeto de Francisco e dos franciscanos. O Poverello aprendeu esta lição da contemplação de Cristo.

Frei David de Azevedo, ilustre frade português já falecido, escreveu belas páginas sobre as posturas delicadas de Jesus na cruz:

“A ternura de Deus resiste e mantém-se ternura, mesmo quando o pregam na cruz. O Cordeiro de Deus deixou-se devorar pelas feras, mais precisamente desse modo triunfou delas. E nesse preciso momento, na ternura que permanece ternura, mesmo quando a cravam no patíbulo da dor e do desprezo, que se afirma e se impõe a grandeza divina. Em Jesus Cristo crucificado nada, absolutamente nada aparece do elemento bestial que faz parte da animalidade humana. Só amor, exclusivamente amor, amor levado até ao extremo”. (…).”Mesmo no auge mais feroz da batalha Jesus continua sendo o recém-nascido do presépio: a mesma condição indefesa, a mesma “inocência”, a mesma candura, o mesmo sorriso de bondade”.

Francisco aprendeu esta lição: a mansidão e a ternura, bem como a amizade e o desejo do bem para aqueles que nos fazem mal. “A conselho, admoesto e exorto no Senhor Jesus Cristo a que todos os meus irmãos que, quando vão pelo mundo, não litiguem, nem questionem, nem censurem os demais, mas sejam mansos, pacíficos e modestos, sossegados e humildes e a todos falem honestamente como convém”(Regra Bulada 3, 10-12).

Para Francisco não se trata apenas de não-violência. Em sua alma há muito mais: há uma amizade que nada consegue perturbar, uma amizade que permanece, mesmo na perseguição para com os próprios autores desta perseguição. Junto, com essa amizade, a paz e a simplicidade de criança.

Mansidão e simplicidade vemos transparecer na ideia que Francisco tinha da autoridade, da maneira de organizar sua Ordem e nos critérios de eficiência com relação ao apostolado. As leis e as formas de organização de seu grupo deveriam primar pela leveza, agilidade e simplicidade. O amor e não tanto a autoridade seria o dinamismo que informaria a organização de sua fraternidade. O apostolado não seria tanto um apostolado cultural dirigido às inteligências, mas um apostolado de bondade, mais orientado para o coração. Por isso Francisco não compreendia bem a preocupação com a eficiência da Ordem e compreendia menos ainda que seus irmãos fossem solicitados para cargos de hierarquia. Também a Igreja era sonhada por ele como uma Igreja feita de irmãos, muito simples, estrutura mais leve e mais viva.

Frei Almir Ribeiro Guimarães, OFM

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