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Francisco de Assis vivo

Francisco de Assis, cantado e decantado. Um cardeal argentino, tornado papa escolhe o nome de Francisco, quase como que abraçando seus sonhos e seus projetos Muitos no mundo inteiro aproximam-se de Francisco. Ele não “perde a validade”. Sua figura é indispensável. As plantas e as águas, os pobres e os leprosos, os tocados pelo fogo do Evangelho não podem viver sem ele. Frei Fernando Felix Lopes assim se refere ao momento de sua passagem: “Voara para o céu um homem, um poeta, uma visão nova da vida: um homem como ele não apareceu mais sobre a terra”. Tomás de Celano o define como homem do “século futuro”.

Hoje, como no tempo de Francisco, segundo Éloi Leclerc, há muitos apelos. Apelos de mais tolerância e liberdade, mais justiça, desejo de paz. Revoltamo-nos contra grupos que matam abertamente com armas ou camufladamente pela corrupção e indiferença para com o mistério do ser humano. Ficamos chocados com grupos de extermínio, queima de arquivos vivos. Temos medo de uma sociedade que não deixa o amor assentar-se em seu interior e vive na superficialidade das coisas rolando ao sabor das modas.

Como no tempo de Francisco, os apelos partem dos mais pobres, dos pequenos, dos que são abusados, dos famintos e oprimidos. Cito literalmente Éloi Leclerc:

“Homens e mulheres carregam em sua carne ferida e em sua dignidade desrespeitada, as verdadeiras ânsias do homem e o segredo do mundo futuro”.

Não é junto deles o nosso lugar de irmãos menores? Ou vamos ficar repetindo aquilo no que não acreditamos?

Por isso, a experiência primitiva. Francisco tanto nos fascina. A fraternidade franciscana que o Poverello criaria hoje não seria a mesma do século XIII, mas teria os mesmos traços essenciais: comunhão de vida com os mais humildes, recusa do domínio do dinheiro, busca de uma comunidade fraterna, sentido e gosto pela pessoa concreta e singular, acolhimento mútuo, uma autoridade que serve com bacia e toalha, autoridade sem “preferências”, respeito pela natureza.

Francisco aproxima-se das criaturas com um olhar não possessivo e assim elas se revelam como irmãs e aliadas. Até os lobos se pacificam à sua presença. Certamente há lobos que dormem em nós. Francisco dá a entender que o que salva o mundo não é o poder, mas o amor que se despoja e se volta a serviço das pessoas estabelecendo relacionamentos afetivos e não simplesmente “educados”, mas formais e distantes.

Francisco descobre o Cristo humilde e pobre que caminha entre os homens revelando o amor do Pai. O exemplo de Cristo torna-se a grande luz de sua vida. Ele o encara como aquele que o leva à fraternidade. Homens e mulheres sentem-se atraídos por Francisco que lhes propõem uma vida marcada pela ausência de qualquer dominação nos relacionamentos humanos: todos são irmãos.

Francisco de Assis não morre. Ele se fez cúmplice do Evangelho e o Evangelho não morre.

Frei Almir Ribeiro Guimarães, OFM

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