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Francisco de Assis não morreu, ele vive entre nós!

Frei Augusto Luiz Gabriel

Petrópolis (RJ) – As festividades e celebrações de São Francisco na Fraternidade do Sagrado Coração de Jesus de Petrópolis (RJ), foram ricas em significado, espiritualidade e devoção. Desde o dia 27 de setembro, o Convento e a Paróquia promoveram a Semana Franciscana com uma programação que contemplou lives formativas, reflexões diárias sobre o franciscanismo, Tríduo e Trânsito de São Francisco. Dias intensos de orações, reflexões e celebrações que terminaram nesta segunda, dia 4 de outubro, com a Celebração Eucarística das 10 horas, onde os frades celebraram com solenidade a liturgia de fazer memória da vida do Santo de Assis.

DIA DE SÃO FRANCISCO: FRATERNIDADE E MINORIDADE

O guardião e pároco, Frei Jorge Paulo Schiavini presidiu a Santa Missa, contando com a  participação dos frades, religiosas franciscanas, membros da Ordem Franciscana Secular (OFS), fiéis, devotos e simpatizantes do Santo de Assis. O atendente conventual, Frei Abílio Antunes do Amaral foi o concelebrante. O coral dos Frades do Tempo da Teologia, sob regência do mestre, Frei Marcos Antonio de Andrade, animou toda a solene celebração com a Igreja lotada, cumprindo as ordens de segurança e distanciamento. Como de costume, a Santa Missa foi transmitida ao vivo pelas plataformas digitais da Paróquia do Sagrado.

Frei Jorge iniciou sua reflexão, louvando a Deus pelos grandes feitos na vida do humilde servo de Deus, Francisco de Assis. Fez memória da visita do Papa Francisco a Assis, no ano que foi eleito e repetiu a mesma pergunta que o Sumo Pontífice fez na ocasião: “O que São Francisco testemunha para nós hoje?”. Para Frei Jorge, a primeira coisa que Francisco lhe diz é a de ser um bom cristão, mantendo uma relação vital com a Pessoa de Jesus, revestindo-se Dele e assimilando-se a Ele.

Segundo Frei Jorge, o caminho de Francisco rumo a Cristo parte do olhar de Jesus na cruz. “Deixar-se olhar por Ele no momento em que doa a vida por nós e nos atrai para Ele. Francisco fez esta experiência de modo particular na pequena Igreja de São Damião, rezando diante do crucifixo. Naquele crucifixo, Jesus não aparece morto, mas vivo! O sangue escorre das feridas das mãos, dos pés e dos lados, mas aquele sangue exprime vida. Jesus não tem os olhos fechados, mas abertos, grandes: um olhar que fala ao coração. E o crucifixo não nos fala de derrota, de fracasso; paradoxalmente nos fala de uma morte que é vida, que gera vida, porque fala de amor, porque é Amor de Deus encarnado, e o Amor não morre, antes, vence o mal e a morte. Quem se deixa olhar por Jesus crucificado é recriado, transforma-se uma nova criatura”, ressaltou, fazendo referência ao texto do Papa Francisco.

O pároco, destacou um segundo testemunho, a partir da vivência franciscana. Para ele, quem segue Jesus, recebe a verdadeira paz, aquela que só Ele, e não o mundo, pode nos dar. “São Francisco é associado por muitos à paz, e é justo, mas poucos seguem em profundidade”, lamentou. “A paz franciscana não é um sentimento ‘piegas’. Este São Francisco não existe! E nem é uma espécie de harmonia panteísta com as energias do cosmo. Também isto não é franciscano! A paz de São Francisco é aquela de Cristo”, frisou, lembrando que só se anuncia a  paz com humildade de coração.

Por fim, Frei Jorge fez menção a Carta do novo Ministro Geral, Frei Massimo Fusarelli, por ocasião da Festa de São Francisco, e ressaltou aspectos da atitude de fraternidade e minoridade que os franciscanos precisam assumir. Segundo ele, a fraternidade e a minoridade certamente devem ser vividas entre nós, em nossas comunidades, mas precisam também caracterizar o nosso modo de aproximação das pessoas que encontramos, a fim de sermos irmãos e menores para todos.

“Louvemos a Deus nesta Eucaristia pelo testemunho de São Francisco e peçamos que Deus nos fortaleça no seguimento de Jesus Cristo e na prática da paz, no fortalecimento da fraternidade e na minoridade”, concluiu Frei Jorge.

TRÂNSITO DE SÃO FRANCISCO

“Aquele que durante a vida viveu a fraternidade com todas as criaturas, especialmente as mais pobres, no final de sua vida acolheu a própria morte como uma companheira amigável que o conduziria à plenitude de tudo o que experimentara nesta terra. Assim como cantou o amor de Deus pelos caminhos do mundo, se entrega a Deus, entoando o louvor ao Senhor”. Foi com essa motivação que o guardião, Frei Jorge, presidiu a tradicional Celebração do Trânsito de São Francisco, no dia 3 de outubro, às 19h30. Ao seu lado, estiveram presentes o mestre, Frei Marcos, e o vigário paroquial, Frei Ivo Müller.

O Coral dos Canarinhos de Petrópolis, uniu sua voz com o coro dos Frades do Tempo da Teologia para em “alta voz”, celebrar com alegria e devoção os últimos momentos da vida de São Francisco, sob a regência do maestro Marco Aurélio Lischt. Através da oração das Vésperas, do cântico dos salmos e da meditação da Palavra de Deus, a Páscoa de Francisco foi celebrada com a certeza de que Francisco continua vivo!

Na reflexão, Frei Jorge afirmou que nos dias que antecederam o derradeiro momento, Francisco pediu que os irmãos cantassem várias vezes o Cântico das Criaturas. “Nos últimos momentos da vida de São Francisco estão presentes Frei Leão, Frei Ângelo, Fra Jacoba, Frei Masseo… Trazem as lágrimas, o pranto, uns doces e o canto. Francisco é só alegria, prece e entrega ao misericordioso Deus. Nos irmãos e na sua amiga dói a separação; em Francisco, vibra o gosto pelo encontro com o sonhado Reino do Céu. Francisco pede para sair do Palácio Episcopal para ir  ao aconchego da Porciúncula. Da cama dos bordados lençóis quer o chão tecido pela terra mãe. Ali expira mansamente no leito nupcial no colo da sua Amada Senhora Dama Pobreza”, destacou.

Frei Jorge lembrou que a Celebração do Trânsito de São Francisco acontece em um período da história onde muitos perderam seus entes queridos, por conta da pandemia. “Que a experiência de São Francisco diante da morte, da Irmã Morte, possa trazer o conforto da fé àqueles que passaram por essa experiência dolorosa.  Que Francisco interceda a Deus para que nós também sejamos libertados de todo medo e conduzidos por Cristo no caminho da Vida”, disse, acrescentando:  “Que o exemplo luminoso de São Francisco de Assis nos incentive a nos entregarmos ao Evangelho com amor e generosidade, para que tenhamos a graça ver a morte como essa transformação final para o encontro definitivo com Deus”, encerrou.

FORMAÇÃO FRANCISCANA: FRANCISCO EUCARÍSTICO E ECOLÓGICO

No dia 28 de setembro, Frei José Ariovaldo da Silva conduziu a primeira formação franciscana ao vivo, pelo Facebook e YouTube da Paróquia, sobre São Francisco e a Eucaristia. Para ele, o Verbo eterno e criador do universo rebaixa-se à condição de matéria do pão e do vinho, para ser consumido, assimilado por nós. “Corpo que se entrega, gratuitamente se doa. Sangue derramado! Sangue que gratuitamente se esparge. Totalmente obediente a nós: Como um Cordeirinho, não reclama de nada! Se pisado ou esmagado por algum louco qualquer, ele não reclama, fica em silêncio! É muita humildade! Espantosa humildade! E aqui vemos então o que Francisco sente e diz sobre a Eucaristia”, explicou o palestrante.

Frei Ariovaldo usou dos textos das Admoestações de São Francisco, bem como da Carta à toda Ordem, que é dirigida aos clérigos, para ressaltar a importância da Eucaristia na vida do Santo de Assis. “Francisco liga o mistério do corpo eucarístico do Senhor com mistério da Encarnação, apresentando as consequências para as nossas atitudes em relação a este santo corpo”, disse.

Para ele, a Eucaristia é uma escola de aperfeiçoamento na fé cristã. “A Eucaristia é de fato a melhor escola de vida cristã, pois Nela o que fala não são apenas palavras, mas a Palavra, um exemplo consumado de vida a ser seguido por todos nós. Fazei isto em memória de mim. Sejam assim também”!

CONVERSÃO ECOLÓGICA

Já no dia 29 de setembro, Frei Fábio César Gomes, recentemente transferido para a Cúria Geral da Ordem dos Frades Menores, refletiu sobre a proposta ecológica de São Francisco, a partir das Fontes Franciscanas. O evento novamente foi ao vivo com transmissão pelo Facebook e YouTube da Paróquia.

Segundo Frei Fábio, os textos das Fontes Franciscanas apresentam um Francisco cuja experiência espiritual abarca todas as dimensões da existência humana: a pessoal, a social e a cósmico-universal. “Tal experiência foi determinada sobretudo por uma série de encontros que aconteceram nos primeiros quatro ou cinco anos do seu processo de conversão e que, consequentemente, marcaram espiritualidade que dele derivou”, disse.

Brevemente Frei Fábio discorreu sobre estes encontros de Francisco, destacando alguns. O 1º encontro foi ainda em Espoleto, em 1204, onde Francisco se questiona a quem deveria seguir, ao Senhor ou ao servo. O 2º encontro foi com os leprosos e os pobres. O 3º encontro deu-se com Jesus Cristo, com o crucifixo de São Damião. Por fim, o 4º encontro foi com os irmãos e as irmãs, os seus companheiros, Clara e suas irmãs, com os casados e com toda a humanidade.

“Desses encontros mais significativos do início do percurso espiritual de Francisco, derivam as dimensões mais marcantes da Espiritualidade Franciscana: A pobreza, a fraternidade, a minoridade e a evangelização”, explicou.

“Podemos dizer que a evangelização franciscana acontece em primeiro lugar pelo nosso exemplo. Portanto, nossa fala sobre a ecologia deve estar sustentada num estilo de vida ecológico, em gestos concretos de cuidado e de preservação dos recursos naturais”, frisou. “A evangelização franciscana deve levar as pessoas ao louvor a Deus pelas maravilhas da sua criação, o que, por conseguinte, suscita atitudes de admiração e de cuidado para com todos os seres. Por outro lado, também deve alertar para as consequências da falta dessa admiração e desse cuidado, expressa na degradação e exploração predatória dos recursos naturais, diante do que, torna-se necessário uma mudança radical de mentalidade e de comportamentos, ou seja, uma grande conversão por parte da humanidade que o Papa Francisco chama de conversão ecológica (cf. LS 216-220)”, destacou.

TRÍDUO DE SÃO FRANCISCO

Entre os dias 30 de setembro a 2 de outubro, a programação da Semana Franciscana também contemplou celebrações do Tríduo de São Francisco. No 1º dia, o frade conventual, Frei Paulo Roberto Gomes, pároco da Paróquia Nossa Senhora Aparecida do Quitandinha, foi o presidente da Santa Missa e falou sobre “São Francisco e o Evangelho”. No 2º dia do Tríduo, com o tema: “São Francisco e a Humildade”, a presidência ficou a cargo de Frei Luis Henrique Nascimento Lima, tendo como concelebrante Frei Willian Gomes, conventuais. Por fim, no 3º dia, o vigário paroquial, Frei Volney José Berkenbrock, foi o celebrante e ressaltou aspectos de “São Francisco e a Simplicidade”.

Francisco de Assis não morreu, ele vive entre nós!


VEJA MAIS IMAGENS DA SEMANA FRANCISCANA


1º DIA DO TRÍDUO

2º DIA DO TRÍDUO

3º DIA DO TRÍDUO

TRÂNSITO DE SÃO FRANCISCO

SOLENIDADE DE SÃO FRANCISCO

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