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Envolvidos pelo amor

Viver! Isso é que conta. Caminhamos, lutamos, somos humanos, sentimos saudade de um passado que vivemos e temos os olhos fixos num amanhã que ainda não chegou, caímos, levantamo-nos, a vida borbulha em nós. O bate-estacas do futuro não cessa de chegar aos nossos ouvidos. Somos convidados a dar nossa colaboração na parturição do nosso amanhã e no amanhã do mundo. Vivemos. Viver é uma graça.

Experiência de fé em Deus no encontro pessoal com Cristo: vida de fé e um amor sempre novo pela pessoa de Jesus. De uma tal experiência nasce o estilo de viver de Francisco e dos franciscanos. Dela brotam o respeito pela pessoa, a dignidade do indivíduo, a fraternidade entre os homens, a missão da paz e solidariedade, a igualdade, o universalismo, a simplicidade e o encanto perante as criaturas, tendo todos esses valores sua raiz da experiência religiosa do Poverello. Sem tal experiência de envolvimento com o Senhor todo o edifício desmorona… “Altíssimo Senhor, Bem, todo o Bem”.

A existência de Francisco não foi uma construção pesada, projetada, montada. Foi alguma coisa que ia brotando a partir de seu interior. Interior, diga-se longo, aberto às visitas do Senhor. Não pensava em termos de quantidade e eficiência como é a mentalidade de nossos dias. Francisco ia se libertando de si mesmo. Um autor assim se exprime: “A atitude de Francisco é uma atitude receptiva e poética da qual a vida brota agradecida, feliz, jovial, desimpedida, corrente, fecunda. Esta distinção entre fabricação e fecundidade, entre coisa e vida é de importância crucial. O enfeitiçamento do homem – principalmente do homem industrial – pela quantificação, pela exploração e pelo domínio, é uma das deformações mais perturbadoras do desabrochar da experiência religiosa”.

Neste parágrafo inspiro-me em textos de Frei David de Azevedo:

Acolher o Amor, deixar-se possuir pelo Amor. Francisco compreende que Alguém se desenha em seu horizonte como dom, com força e ternura de um Amor que o envolve. Era preciso, pois, relacionar-se com essa Presença. Mistério da oração e da entrega sem restrição. Para captar esta presença necessário um fundo de pobreza, de gratidão e de alegria, alegria de ser amado, de se deixar criar e de existir para responder a esse Amor. Sentir o ser criatura não como uma precariedade e dependência humilhante, mas como uma presença amorosa que me faz existir. Como os namorados costumam dizer: “Tu és a minha vida”. Em São Francisco isso atingia a rocha ontológica. Deus era sua vida e nisso estava sua felicidade.

Estamos no nível da oração. Agostinho Gemelli observa:

“São Francisco não escreveu nem poderia escrever um tratado sobre a oração ou sobre o amor de Deus, porque ele teria julgado com isso profanar o seu tesouro; porque quem ama como ele amava, intui e não faz arrazoados. Quem faz arrazoados sobre o amor e o analisa já o dominou, isto é, já fez do amor um hábito, um dever ou uma recordação”.

Frei Almir Ribeiro Guimarães, OFM

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