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Celebrações fazem memória do franciscano Luiz Reinke, mestre na caridade

Frei Augusto Luiz Gabriel

Petrópolis (RJ) – Neste dia 4 de junho, 1ª sexta-feira do mês, as Celebrações Eucarísticas no Convento e Paróquia do Sagrado de Petrópolis (RJ), fez memória da devoção ao Sagrado Coração de Jesus, bem como do frade franciscano, Frei Luiz Reinke. O evento faz parte da programação do Ano Jubilar que comemora 75 anos de criação da Paróquia e de 125 anos da chegada dos frades franciscanos vindos da Alemanha para a Cidade Imperial.

E, como já é de costume, as celebrações do Jubileu foram regadas de muita história e curiosidades sobre a vida e missão evangelizadora dos frades em terras petropolitanas. A Santa Missa das 18 horas foi presidida pelo vigário paroquial e professor do Instituto Teológico Franciscano, Frei Volney José Berkenbrock. Logo no início, o presidente acolheu a todos e deu a tônica da celebração ao afirmar que a caridade e a piedade foram marcas fundantes da personalidade de Frei Luiz.

Após a leitura do Evangelho do dia (Mc 12,35-37), Frei Volney iniciou sua homilia explicando que, durante todo o Ano Jubilar, os fiéis terão a oportunidade de relembrar e conhecer mais sobre personagens importantes e marcantes que merecem ser melhor conhecidas, como Frei Luiz Reinke, cujo busto em sua homenagem encontra-se no pátio de Igreja do Sagrado. E não apenas isso, a rua entre o Convento e a Editora Vozes, também se chama Frei Luiz, em homenagem ao frade menor franciscano.

HISTÓRIA DE FREI LUIZ REINKE

Segundo Frei Volney, Frei Luiz nasceu em 1872 com o nome de batismo de Teodoro Henrique. Em 1890, quando ainda não completara 18 anos, Teodoro Henrique vai para Harreveld, na Holanda, onde os franciscanos mantinham um seminário. A decisão pela Ordem dos Frades Menores, como consta nos registros históricos, deu-se pelo encantamento com a humildade e caridade de São Francisco de Assis. “No dia 1º de julho de 1894, o navio que transportava 52 jovens frades juntamente com seu mestre, Frei Ciríaco – 1º guardião do Convento do Sagrado-, aportou em Recife, onde Frei Luiz pode ver o Brasil pela primeira vez. Mas não desceram ali. No dia 10 de julho chegaram em Salvador, Bahia”, contou.

Logo depois, Frei Luiz iniciou seu noviciado e, como era costume na época, mudou de nome, passando a se chamar de Frater Aloysius, que foi traduzido livremente por Frei Luiz. Segundo Frei Volney, pouco se sabe sobre sua juventude e primeiros anos da caminhada na vida religiosa franciscana. No entanto, consta que ele foi acometido de duas grandes enfermidades, em 1896 de febre amarela, e depois beribéri, doença que o deixou com sequelas para o resto da vida. “Frei Luiz foi aconselhado a viver em algum lugar com clima mais ameno, surgindo daí a ideia de transferi-lo para um convento da Ordem Franciscana recém-criado na cidade de Petrópolis: o Convento do Sagrado Coração de Jesus”, disse Frei Volney. O frade chegou em terras petropolitanas no dia 2 de janeiro de 1900. “Desta forma, tem início a trajetória de Frei Luiz em nossa cidade e em seus arredores”, frisou.

MESTRE DA CARIDADE

Assim, no lombo de um cavalo, Frei Luiz começa a atender qualquer pessoa que precisasse de ajuda, fosse espiritual, fosse material, não medindo esforços e nem tampouco se importando com as distâncias e dificuldades encontradas. “Sua ação não era apenas de comunhão e confissão, mas de distribuir alimentos e medicamentos onde podia”, disse. Segundo Frei Volney, a procura pelo frade, por seu atendimento, por uma palavra, uma bênção, era tão grande que já não era possível percorrer as distâncias a cavalo, sendo-lhe então oferecido através de doação um carro.

Porém, em uma de suas viagens, Frei Luiz sofreu um grave acidente de carro, recuperando-se apenas parcialmente de suas consequências. Mesmo assim, Frei Luiz continuou sua missão junto ao povo e, em razão de sua “grande disponibilidade e amor em atender as pessoas que o procuravam, tornou-se muito querido”, ressaltou Frei Volney.

A bondade e o amor de Frei Luiz pelos mais necessitados despertou a ira de algumas pessoas, fato que o levou a sofrer dois atentados fracassados contra sua vida, mas que também o deixou com sequelas em sua já debilitada saúde. Desta forma, após enfrentar doenças graves, atentados e trabalhar arduamente por anos a fio em sua missão de atender o povo sofrido, sua saúde demonstrou sinais de declínio. Assim, bastante enfermo foi recolhido ao Sanatório São José, anexo ao hospital Santa Teresa, e, mesmo debilitado, continuava a atender os outros doentes com sua palavra e bênção.

CORTEJO FÚNEBRE E O SEPULTAMENTO

Na manhã de 09 de abril de 1937 faleceu Frei Luiz. “A comoção tomou conta das pessoas que acorreram para a Igreja do Sagrado para homenagearem o tão querido Frei Luiz. Centenas de pessoas a quem o Frei devotara toda sua vida e por quem tinham verdadeira veneração acompanharam o cortejo fúnebre e o sepultamento”, frisou Frei Volney.

“Essa figura muito interessante viveu aqui em Petrópolis e marcou a história dos 125 anos de presença franciscana. Agradeçamos e bendigamos a Deus por todas as graças que Ele fez e continua fazendo através da figura de Frei Luiz”, concluiu.

Os restos mortais de Frei Luiz encontram-se até hoje no mausoléu dos frades junto ao cemitério municipal de Petrópolis, simples e quase que escondida, sua urna traz a inscrição “Frater Aloysius Reinke”.

POR AMOR AO EVANGELHO

O pároco Frei Jorge Paulo Schiavini presidiu a celebração das 15 horas, que acumulou com o 4º dia da Trezena de Santo Antônio, cujo tema foi: “Santo Antônio, reflexo de Cristo”. “No dia de hoje rendemos graças a Deus pela vida de Frei Luiz, que foi um dentre tantos e centenas de frades que já passaram por aqui”, lembrou. Para Frei Jorge, desde o começo nota-se que Frei Luiz foi designado para o serviço da evangelização, citando as filas de bênçãos de Santo Antônio que o frade atendia. “E hoje no 4º dia da Trezena, lembramos que já são mais de 100 anos que celebramos a presença de Deus em nosso meio por intercessão de Santo Antônio”.

Segundo o pároco e guardião, torna-se visível que Frei Luiz trazia juntamente com sua humanidade e caridade algo a mais. “Ele vivia conectado com o próprio Filho de Deus. E a partir disso, ele vai gastando sua vida por amor a Cristo, por amor ao Evangelho e em serviço ao Reino de Deus”, afirmou.

As missas seguiram todas as medidas de distanciamento e higiene sanitária. Também foram transmitidas pelo Facebook e YouTube da Paróquia do Sagrado e pela Rádio Imperial. A próxima celebração será no dia 11 de junho, dia da Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, com a presença de Dom Gregório Paixão, bispo da Diocese de Petrópolis (RJ).

VEJA ALGUMAS IMAGENS DA CELEBRAÇÃO

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