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Celebração do Ano Jubilar recorda os primeiros 25 anos da Igreja do Sagrado

Frei Augusto Luiz Gabriel

Petrópolis (RJ) – “Que possamos também fazer parte da construção espiritual que é a Igreja de Deus. Que possamos acreditar, com coragem e perseverança, na fé e assim realizar a obra de Deus em nossas vidas, em nossas famílias e na vida da Igreja”. Foi com essa motivação que o pároco da Paróquia do Sagrado Coração de Jesus de Petrópolis (RJ), Frei Jorge Paulo Schiavini, presidiu a Celebração Eucarística das 18 horas desta sexta-feira (7/05), em memória dos primeiros 25 anos da Igreja do Sagrado Coração de Jesus e dos 125 anos dos franciscanos na Cidade Imperial. As irmãs do Amparo animaram a celebração que foi transmitida pelo Facebook e YouTube da Paróquia.

Desde fevereiro de 2021, os frades do Convento e da Paróquia do Sagrado estão celebrando o Ano Jubilar. Toda 1ª sexta-feira do mês, as celebrações que já eram em honra ao Padroeiro, o Sagrado Coração de Jesus, ganharam um destaque especial e nesta sexta-feira não foi diferente. No comentário inicial, a catequista Mônica Jochem deu a tônica da celebração apresentando as motivações e intenções para a celebração. “Trazemos presente hoje a história de nossa Paróquia que tem como sede a Igreja do Sagrado Coração de Jesus, construída em 1874, por grande dedicação e esforço dos colonos alemães que vieram para construir a cidade de Petrópolis e para construir uma vida melhor para suas famílias nesta cidade. Trazemos presente todos que ajudaram a construir esse templo e os que continuam a conservá-lo material e espiritualmente”.

Interior da igreja em 1903

Na homilia, Frei Jorge recorreu as crônicas do convento para fazer sua reflexão. Segundo ele, ao se olhar para o início, encontram-se muitos registros da construção de uma Igreja que não é somente material, mas também espiritual. “Na construção de uma Igreja, se realiza a construção de laços de fé, a construção de uma história de vida com Deus e a partir de Deus e se realiza o que nós ouvimos no Evangelho: uma Igreja viva construída na ‘fé em Jesus Cristo e de seu amor incondicional por todos nós’. Aquele amor que é capaz de entregar a própria vida”, frisou.

Registro da igreja primitiva

O pároco explicou que um grande número de colonos alemães chegou em 29 de junho de 1845, para construir a cidade de Petrópolis. Segundo ele, esses colonizadores precisavam de um sacerdote que soubesse falar a língua alemã e, com isso, desse uma assistência espiritual mais adequada. Foi por isso que Padre Theodoro Esch veio da Bahia para Petrópolis. Logo no início, fundou uma escola de crianças e uma sociedade de coro para os homens. “Com a chegada do Pe. Esch cresceu a ideia da construção de uma igreja própria, ainda mais porque descobriram que o contrato de imigração prometia a cessão de um terreno para a construção de um templo”, disse, acrescentando: “Depois de muitas negociações com a Câmara Municipal e com o apoio do Imperador, decidiu-se ceder para a construção da igreja o terreno que dava de frente com a escola do Pe. Esch, ocupado até então pelo Cemitério Municipal”, contou.

Frei Jorge certificou que, para a construção da Igreja do Sagrado, houve muitas doações de famílias dos colonos alemães, autoridades, fazendeiros e muitas pessoas de boa vontade. Segundo ele, Pe. Esch motivou as pessoas escrevendo cartas em português, em alemão, enviando para muitos lugares. O presidente da celebração leu um trecho da carta, que assim diz: “Os alemães católicos residentes na cidade de Petrópolis, tendo obtido pela generosidade de Sua Majestade o Imperador e pela benevolência da atual Câmara Municipal desta cidade o terreno do antigo cemitério para construir-se ali uma capela, um edifício para uma escola e outro para a residência do respectivo pároco alemão, tem resolvido abrir uma subscrição em favor da realização desse projeto, e vem com a presente carta se dirigir a todos os que dotados de bens de fortuna e de generosidade de sentimentos quiserem contribuir com o seu óbolo para essa obra humanitária e religiosa”.

O presidente da celebração ressaltou que a Igreja do Sagrado foi construída muito rapidamente, com um pouco mais de um ano. Foi inaugurada no dia 8 de setembro de 1874. Com a saída de Pe. Esch, ficou comprometido o serviço religioso na Igreja do Sagrado. Neste tempo, um padre alemão de fora, e mais adiante outros padres que já tinham outras atribuições, conduziram os serviços da Igreja. Foi então que o Monsenhor João B. Guidi, posteriormente, assumiu o cuidado pastoral da Igreja do Sagrado com intenso cuidado na celebração dos sacramentos, catequese e visita aos enfermos. Este dirigiu-se aos franciscanos alemães que recentemente haviam vindo para o Brasil, para assumirem a Igreja do Sagrado, o que aconteceu somente em 1895.

Frei Jorge evidenciou que, com a chegada dos franciscanos, em 16 de janeiro de 1896, a Igreja foi ampliada e reformada, chegando aos poucos às dimensões atuais. “Destaco o generoso apoio da Ordem Franciscana Secular, que desde o início colaborou nas reformas e ampliações da Igreja”, frisou.

CENTRO DE IRRADIAÇÃO DO CARISMA FRANCISCANO

Para o pároco, a Igreja do Sagrado se tornou um centro de irradiação de religiosidade, com as muitas atividades religiosas que eram desenvolvidas. “Isso aconteceu porque já havia um espírito profundamente religioso nos habitantes de Petrópolis. Na Igreja do Sagrado eram celebradas um grande número de missas, confissões e outras atividades. A partir do Sagrado, os franciscanos davam atendimento religioso ao Hospital Santa Teresa. Também cuidavam do Santuário Santo Antônio, no Alto da Serra, da Capela de Nossa Senhora Auxiliadora, no Bingen, da Escola do Amparo e a da então capela de Cascatinha e, esporadicamente, de outras igrejas de Petrópolis. Na Baixada Fluminense atendiam a Igreja do Pilar, Inhomerim e Mauá. Também tinham presença em Raiz da Serra”, apontou.

Segundo o guardião, desde o início os franciscanos cultivaram a devoção a Santo Antônio, com bênção própria no final da missa de terça-feira e com outros horários exclusivos para a celebração da bênção. “Na época, os fiéis lucravam indulgência plenária, com a participação na celebração da bênção de Santo Antônio”, informou.

Encerrando sua reflexão, Frei Jorge apresentou algumas curiosidade das associações que floresceram à sombra da Igreja do Sagrado. “A Ordem III de São Francisco foi fundada em 1896 e em 1924 já contava com 400 membros. O Apostolado da Oração, fundado em 1898, chegou a ter 600 membros em 1924. A Congregação Mariana que foi fundada em 1915, acumulou 144 congregados em 1924”, disse. “A escola para crianças pobres, que foi um dos objetivos desde a construção da Igreja, permaneceu fechada por alguns anos e com a chegada dos franciscanos foi reaberta. Foi preparado um local apropriado em 1897, pelos franciscanos, já admitindo 171 alunos no andar térreo do antigo convento”, acrescentou.

“Que possamos também fazer parte da construção espiritual que é a Igreja de Deus, animados pelo próprio Jesus Cristo e alimentados pela presença do Espírito Santo que está em nós e presente na comunidade reunida. Que possamos, a exemplo dos primeiros que aqui chegaram, cultivar a coragem, a perseverança na fé e assim realizar a obra de Deus em nossas vidas, em nossas famílias e na vida da Igreja”, concluiu.

Após a homilia, a celebração teve continuidade com as preces seguidamente da liturgia eucarística. No final, Frei Jorge agradeceu a presença de todos e rezou pelas famílias enlutadas. A próxima celebração do Ano Jubilar será no dia 19 de maio, às 18 horas, data da instalação da Igreja do Sagrado.

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