paixao_150422_3683 Grande

Celebração da Paixão do Senhor e procissão marcam a Sexta-feira Santa no Sagrado

Nem mesmo a chuva e o frio na serra petropolitana espantou os fiéis que vieram para a Celebração da Paixão do Senhor, nesta Sexta-feira Santa (15/04), na Paróquia do Sagrado de Petrópolis (RJ). O pároco, Frei Jorge Paulo Schiavini, presidiu a celebração das 15 horas e contou com a centenária Igreja do Sagrado lotada. O Coral das Meninas dos Canarinhos de Petrópolis também se fez presente e entoou cânticos próprios para este dia, sob regência de Marcelo Vizzani.

A liturgia é composta de três momentos: Liturgia da Palavra, Adoração da Cruz e Comunhão. Mas vale lembrar que é o único dia do ano em que não se realiza uma Celebração Eucarística propriamente dita, pois todo o momento é dedicado à Paixão e à morte de Jesus. Ou seja, não se celebra missa em nenhum lugar do mundo.

Após a leitura do Evangelho de São João (18,1-19,42), que relata a Paixão do Senhor, Frei Jorge dividiu sua reflexão em três aspectos, que transcrevemos na íntegra:

1º – AO APRESENTAR JESUS PARA A MULTIDÃO, PILATOS DIZ: EIS O HOMEM!

Marcado pela crueldade, entregue injustamente, escarnecido com sinais de zombaria. Jesus é apresentado: “Não tinha beleza nem atrativo para o olharmos, não tinha aparência que nos agradasse”. Era desprezado como o último dos mortais, homem coberto de dores, cheio de sofrimentos; passando por ele, tapávamos o rosto; tão desprezível era, não fazíamos caso dele. Eis o homem! “Foi atormentado pela angústia e foi condenado”. Não há mais abismo de sofrimento, de solidão que não seja alcançado por Ele.

Pensemos aqui nas dezenas de famílias que foram atingidas pela tragédia das chuvas em nossa cidade. Pensemos nos sofrimentos daqueles que se foram, dos que perderam tudo. Os sofrimentos de seus familiares são também os sofrimentos de Cristo.

2º – JUNTO À CRUZ ESTÁ, DE PÉ, SUA MÃE, MARIA

Junto da cruz de Jesus, estavam de pé, sua mãe, a irmã da sua mãe, Maria de Cléofas e Maria Madalena e o discípulo que Jesus amava (Jo 19,22). A Igreja do amor, permanece de pé, na hora de Jesus. Sofre junto com Jesus, o acolhe em seu sofrimento. E Jesus dá a Maria a missão de cuidar do filho predileto de Jesus, João, a Igreja. De pé, a mãe dolorosa junto da cruz, lacrimosa, via o filho que pendia. Na sua alma agoniada enterrou-se a dura espada de uma antiga profecia. Oh! Quão triste e quão aflita entre todas, mãe bendita, que só tinha aquele Filho.

3º – TUDO ESTÁ CONSUMADO

E inclinando a cabeça, entregou o espírito. O seu amor vai permanecer na vida da Igreja, quando os seus receberem o seu Espírito. Quando os apóstolos receberam o seu espírito eles perceberam que o Senhor continuava com eles e continuaram a vida à luz do Senhor ressuscitado. O sangue e água que brotam de seu lado, são os sacramentos, são a vida da Igreja. É o Senhor que permanece junto da sua Igreja realizando a sua missão.

Frei Jorge encerrou sua homilia com um pensamento do santo franciscano, Santo Antônio, que em um de seus sermões discorreu sobre a Paixão de Cristo. “Cristo que é tua vida esta suspenso diante de ti para que tu te contemples na cruz como num espelho. Aí poderás conhecer quão mortais são tuas feridas que nenhuma medicina tem poder de sarar senão aquela que brota do sangue do Filho de Deus. Se olhares bem poderás dar-te conta de quão grande são tua dignidade e o teu valor. Em nenhum outro lugar o homem pode melhor dar-se conta do quanto ele vale do que olhando-se no espelho da cruz”.

Depois da homilia e da oração dos fiéis, realizou-se o momento mais intenso da celebração: a adoração da Cruz e a oração silenciosa dos fiéis diante do Crucifixo. Por isso, Frei Jorge e os acólitos dirigiram à entrada da Igreja e em procissão trouxeram o crucifixo de Jesus enquanto o celebrante entoava o tradicional canto “Eis o lenho da cruz”. De joelhos, os fiéis permaneceram em silêncio e fizeram sua oração e adoração pessoal diante da cruz de Jesus.

PROCISSÃO COM O SENHOR MORTO

Terminada a oração e bênção, os presentes dirigiram-se até o pátio da Igreja onde a imagem do Senhor Morto, deitado num esquife, foi conduzida pelas ruas próximas ao complexo do Sagrado entre cantos, orações e velas acesas. Em procissão, seguindo o carro de som, rezou-se a tradicional oração da Via Sacra. Histórias, alegrias, dificuldades e muita emoção durante a oração das 14 estações.

Frei Augusto Luiz Gabriel | PASCOM da Paróquia do Sagrado

Notícias Relacionadas

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn
Share on whatsapp
WhatsApp
Share on email
Email
Share on print
Print